A Toxicidade Amiga


Este texto faz parte da série CosPeace e visa abordar questões sociais no meio cosplay

Eu pensei muito sobre o título desta primeira postagem, porque sempre gostei de estilizar o mesmo com algo humorístico, sarcástico ou irônico como forma de chamar a atenção e descontrair mesmo antes da leitura, e achei adequado usar algo tão explícito e tão irônico quanto uma amizade tóxica. Chega a ser paradoxal, afinal, o sarcasmo e ironia por si sós usualmente são usados em uma sentença como uma forma de demonstrar indignação e achei adequado neste caso.


Mas por que toxicidade amiga? Bem, antes de entrar no assunto de forma que abranja toda a comunidade cosplay, eu acho importante começar por onde temos mais afinidade e por onde provavelmente esta situação possa ser ainda mais maléfica para nossa saúde mental: nossos amigos. Ou seriam…”amigos”?


Seja dita a verdade: há muitas pessoas que possuem amizades tóxicas e não se dão conta. Comentários como “esse cosplay não combina com seu tipo de corpo”, “escolha um personagem da sua etnia” ou até mesmo “seu cosplay está bom, porque não junta mais dinheiro pra fazer algo melhor?” são comuns neste tipo de parasitismo(acho que é o melhor termo para definir este tipo de relacionamento, e lhe digo, se algum “amigo” lhe disser isto, fique atento(a), pois provavelmente esta é o tipo de pessoa que além de não representar a verdadeira essência do cosplay, possivelmente não é sua amiga de verdade. Uma amizade deve se livre de estereótipos corporais, de racismo, de objetificação financeira e principalmente de qualquer tipo de atitude que comprometa a sua autoestima.


Oras, o mundo cosplay ganhou o mundo(nossa, que redundância hehe) e virou símbolo de uma diversidade cultural que evolui a cada dia, então é muito comum ver cosplayers interpretando personagens do sexo oposto, de uma etnia diferente da sua ou até mesmo de idades bem distanciadas. Isto é diversidade, aceitação e a essência do cosplay: a quebra de padrões, estereótipos e preconceitos. É a liberdade para ser quem você quiser ser, mas...


Pô, eu odeio ter que colocar este “mas”, porém, sabemos que a realidade não é tão utópica quanto gostaríamos que fosse. Cosplayers são humanos, e sendo humanos são sujeitos à ter um caráter duvidoso, e são estes tipos de pessoas que acabam estragando todo o conceito daquilo que deveria ser um local de liberdade e harmonia, por isso cabe a nós lutar contra qualquer tipo de preconceito ou assédio.


Eu criei aqui no blog o canal boca no trombone que nada mais é que um canal de comunicação sigilosa onde todos podem enviar prints, áudios ou vídeos com provas de cosplayers praticando assédio ou bullyng para que possamos baní-los de nossa comunidade online ou até mesmo orientar a vítima a prestar uma queixa formal contra o autor, e em alguns casos, alertar idealizadores de eventos dependendo da gravidade para que fiquem de olho nestes indivíduos.


Pode parecer antiético expôr alguém mesmo entre nosso grupo, mas temos nossa privacidade e devemos exigir respeito. Pelo menos a minha opinião é de que qualquer tipo de assédio ou ato que denigra nossa intimidade ou a autoestima de alguém é cabível de denúncia, seja para os responsáveis do evento ou para a nossa comunidade para que todos saibam sobre quem está ao seu lado nos eventos.


É preferível que alguém de má índole seja conhecida no evento(e assim possivelmente manteremos distância) do que a mesma passar despercebida e por exemplo, perturbar tanto uma pobre alma a ponto dela desistir e talvez quem sabe, entrar em depressão por conta de bullyng. Obviamente que não vamos sair fazendo um listão de pessoas e anunciar num megafone aos quatro ventos. Eu digo no caso de que, se você for tocado(a), assediado(a) ou sofrer bullyng em grupo, o mais sensato como eu disse mais acima, é relatar para os donos do evento ou para comunidade pelo nosso canal sigiloso(dependendo da gravidade, o mais sensato é acionar a PM) para que a pessoa saiba que talvez esteja no lugar errado. Assédio é crime e não deve ser tolerado.


Seja proveniente de falsos amigos ou de desconhecidos, a toxicidade está presente na forma do racismo, da xenofobia, do machismo, do femismo(o oposto de “feminismo”), da homofobia entre muitos outros preconceitos sociais, e isto acaba por manchar a definição do que é o cosplay. Isto tira a liberdade de escolha e limita muitas pessoas encaixando-as em pseudo-padrões estéticos que destroem aos poucos a identidade e a autoestima destes cosplayers. Muitos sofrem de ansiedade, depressão entre outras malevolências psicológicas, e por diversas vezes, a toxicidade metafórica se torna tão real quanto uma névoa sufocante de plutônio radioativo. Em alguns casos, ela realmente leva à morte. Literalmente. Não seja esse tipo de pessoa, por favor.


Mas bem, como podemos mudar esta realidade? Bom, “sempre haverá maçãs podres nas mais belas macieiras, nem por isso cortamos o pé inteiro de maçãs”(adoro frases filosóficas hehe), mas o mais sensato a fazer é primeiramente se afastar de pessoas de índole duvidosa, denunciar assédios ou atos de bullyng ou quem sabe até orientar aquele amiguinho que está começando agora sobre o que realmente significa o mundo cosplay. Que sejamos exemplos para todos neste nosso maravilhoso mundo. Nosso papel é ser exemplo e principalmente nunca desistir, porque desistir é afirmar que estas pessoas mundanas tinham razão. Nunca se deixe vencer!!!


Se de alguma maneira você NÃO se identificou com o texto e acha que é “normal” quaisquer destas atitudes que ferem a liberdade de outrem, reveja suas atitudes e seja um(a) cosplayer de honra, amiguinho(a).
Post Author

Alex Lupóz

Idealizador do Casa Cosplay, é webdesigner e developer, músico, cosmaker e caçador de fantasmas

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